A notícia que está a agitar o debate
Yaiza Canosa, empreendedora de sucesso nascida em 1993, concedeu recentemente uma entrevista em espanhol à Actitud Constante onde comparou encanadores a desenvolvedores de software. A sua afirmação mais polémica – “Conheço mais encanadores que saem de um Land Rover do que desenvolvedores” – rapidamente se tornou viral entre profissionais de tecnologia e empresários digitais. Mas o que está realmente em jogo nesta declaração?
Canosa não está a menosprezar a programação. Pelo contrário, está a chamar a atenção para um fenómeno económico e social: o prestígio das profissões técnicas (como o desenvolvimento de software) ofuscou o valor real dos ofícios especializados, que continuam a ser extremamente bem remunerados e com escassez de mão de obra. A metáfora do Land Rover serve para ilustrar que um encanador experiente pode ter um poder de compra superior ao de muitos developers júnior ou mesmo sénior em determinados contextos.
Porque é que isto importa para o setor tecnológico?
À primeira vista, a comparação pode parecer injusta. Afinal, o desenvolvimento de software transformou o mundo e criou oportunidades globais. No entanto, a reflexão de Canosa toca em pontos nevrálgicos para quem trabalha em tecnologia:
- Escassez de talento vs. excesso de candidatos: Enquanto os bootcamps produzem milhares de developers por ano, os ofícios especializados (encanamento, eletricidade, carpintaria) enfrentam uma crise de substituição geracional. Menos profissionais disponíveis significam salários mais altos e maior poder de negociação.
- Valor percebido vs. valor real: A sociedade tende a valorizar mais um título universitário em engenharia informática do que um curso técnico-profissional. No entanto, o mercado dita regras diferentes: um encanador com anos de experiência pode cobrar valores horários que muitos developers júnior não recebem.
- A bolha do “prestígio tech”: A narrativa de que todos devem aprender a programar criou uma saturação em certos níveis de entrada, enquanto áreas como infraestrutura digital, redes e segurança continuam a sofrer com falta de profissionais qualificados. Curiosamente, muitas dessas áreas partilham competências com os ofícios tradicionais – resolução de problemas, pensamento sistémico e trabalho manual especializado.
O que os empresários digitais podem aprender com esta polémica
Para quem gere negócios digitais, a mensagem de Canosa é um alerta para não desvalorizar competências práticas. No desenvolvimento de sistemas à medida, e-commerce ou infraestrutura digital, a tendência é contratar apenas perfis “tech” (developers, engenheiros de dados, DevOps). Mas a verdade é que projetos bem-sucedidos exigem uma combinação de habilidades técnicas e conhecimento prático do domínio.
Além disso, a escassez de profissionais em ofícios especializados também afeta o setor tecnológico de forma indireta: a instalação e manutenção de infraestruturas físicas (data centers, cablagem, sistemas de refrigeração) depende desses mesmos profissionais. Sem eles, a nuvem não funciona. É por isso que empresas como a XamuHost, ao oferecerem serviços de hosting de alta performance e VPS, dependem de uma cadeia de valor que inclui desde engenheiros de software até técnicos especializados em infraestrutura física.
A visão da XamuHost: equilíbrio entre o digital e o prático
Na XamuHost, acreditamos que o futuro não passa por escolher entre developers e encanadores, mas sim por reconhecer o valor de cada área. A nossa especialização em sistemas à medida, desenvolvimento web e e-commerce assenta numa base técnica sólida – mas também na compreensão de que a infraestrutura digital (hosting, VPS, domínios .AO e .COM) só é verdadeiramente eficaz quando há profissionais qualificados em todas as camadas.
A afirmação de Yaiza Canosa deve ser vista como um convite à reflexão: será que estamos a formar demasiados developers para funções saturadas e a negligenciar competências práticas essenciais? Para as empresas, a resposta pode estar em diversificar as equipas, valorizar a experiência de campo e investir em formação contínua que una o melhor dos dois mundos – a agilidade do software com a resiliência dos ofícios.
Conclusão: próximos passos para profissionais e empresas
Se trabalha em tecnologia, tire um momento para analisar a sua própria trajetória: está a investir apenas em competências “da moda” ou também em habilidades práticas que o tornam único? Se gere uma empresa digital, reveja as suas contratações e parcerias – pode ser que esteja a desvalorizar perfis híbridos (por exemplo, um developer com experiência em instalações elétricas ou redes físicas).
A notícia de Yaiza Canosa não é um ataque ao desenvolvimento de software, mas um lembrete de que o mercado de trabalho é mais complexo do que a narrativa dominante sugere. Na XamuHost, continuamos a apostar em tecnologia de ponta – mas com os pés na terra. Afinal, até o servidor mais potente precisa de alguém que saiba ligá-lo à corrente.



